Visão da mulher no séculos XIII e XIV
Visão da mulher no séculos XIII e XIV
Um olhar sem preconceito, no entanto, descobre inúmeros documentos que permitem resgatar as atividades daquelas mulheres que , na escala social vigente, tinham uma posição de poder : as nobres e em menor medida , as citadinas . As camponesas , infelizmente, como os camponeses , sofrem da exclusão dos trabalhadores .
Alienor da Aquitânia inspirou uma das mais interessantes do gênero, composta por Marion Mead; (MEADE, Marion, "Eleanor de Aquitânia" , São Paulo, Brasiliense, 1991. PERNOUD, Régine, "Alienor d’Aquitaine" (Michelle Perrot , George Duby "Histoire des Femmes" v. 2.) entre os destinos que inspiraram diversos autores/as Hildegarde von Bingen ; Heloisa; Christine de Pizan e Joana d’Arc ocupam um lugar de destaque.
Abadessa Hildegard von Bingen (1098-1170)
Abadessa beneditina de Rupersberg
Grande mística , versada nas artes mèdicas
poeta , música , visionária , escreve nos 1140 .
Scivias uma denúncia apocalíptica do vício. O Liber de Operatione Dei consiste numa
tentativa sutil de aproximar o espiritual e
o fisiológico , impulsos fisiológicos sexuais e sensuais .
Vê o ato sexual como algo positivo
mesmo condenando veementemente a luxúria ,
defende o relacionamento sexual entre homem e
mulher – num sentido lato – como essencial para
a própria definição de seus gêneros , pois para
Hildegard “homem e mulher foram atraídos um
para o outro desde um plano espiritual , e se
manifestaram como seres sexuados [...] um era o
verdadeiro produto do outro. Sem a mulher o homem
não poderia ser chamado de homem , sem o homem a
mulher não poderia ser chamada de mulher . Homem e mulher obviamente haviam sido criados um para o outro” .
( Shipperges apud Hildergard von Bingen)
A abadessa Marie de France tornou-se famosa por "peças literárias perfeitas" chamadas "Lais"
contos curtos que exploram as diversas formas de amor .
É a mais articulada dessas autoras quanto a condição feminina que já no séc. XV ressente como injusta . Laica é considerada a primeira mulher a ganhar a vida como escritora no sentido moderno do termo.
Escreve uma biografia de Carlos V. Christine transcende o limite já imposto a seu sexo feminino . Durante a chamada “Querela do Romance da Rosa” de Jean de Meun redige uma “Èpitre au Dieu d´Amour” (1400) contra o autor Jean de Montreuil “Que não me acusem de desatino , arrogância ou presunção de ousar , eu mulher , opor-me e replicar a um autor tão subtil , nem reduzir o elogio devido à sua obra quando ele , é o único homem que ousou difamar e censurar , sem exceção todo o sexo feminino”. (George Duby et Michelle Perrot “Histoire des Femmes” V.2 Plon, 1991) Trad. livre da autora . Ela também compõe “A Cidade das Damas” na qual reivindica a mesma educação para as crianças de ambos os sexo , e defende o casamento contra a dupla moral. Finalmente num gesto significativo , ela se levanta em defesa de Joana D´Arc.
Christine de Pisan uma mulher de mente e coração .
Entendi , Christine como a primeira feminista e precursora da idéia da mulher "que é capaz de pensar por si mesma!!