O matriarcado realmente existiu
O matriarcado realmente existiu
O homem primitivo ao se sedentarizar não se constituía como uma sociedade portanto não era regrada , eram tão somente comunidades onde as relações sexuais eram realizadas de forma promíscua , prevalecendo , obviamente a descendência matrilinear já que a mãe era sempre identificável , portanto a mulher como fonte de consanguinidade , toda a sociedade gira em torno dela , tornando-a soberana e legisladora daquela comunidade estabelecendo a ginecocracia, (Johan Jakob Bachofen, 1850) . O mesmo autor afirma que , o matriarcado , embora existente no plano humano projeta-se na esfera divina , as deusas-mãe predominam sobre os deuses .
Na vigência do matriarcado a ordem social se caracteriza pelo amor , paz , fraternidade. Com o passar do tempo quando essas comunidades se transformam em sociedade , a ordem social passa a ordem social do sistema da ginecocracia para androcacia , a mulher é subjugada . Vencido o matriarcado, o eros (amor) se afasta dando lugar ao logos (razão). A Mãe-Eros cede lugar ao Pai-Logos (razão), em linguagem freudiana seria a entronização da Lei e da ordem social ou seja a primeira aparição do superego na história do psiquismo humano . Com a vitória do patriarcado rompe-se a era do amor do eros e instala-se o logos . Mas não esqueçamos que o amor materno é o mais primitivo dos amores , pode ser observado até entre os animais , as fêmeas alimentam e tomam conta das crias até que possam subsistirem sozinhas. Na sociedade matriarcal todos os homens são irmãos pela consanguinidade materna , na patriarcal o que se postula é a obediência à autoridade , e uma ordem hierárquica na sociedade . O matriarcado é o universalismo , no patriarcado é a limitação. A família matriarcal está aberta porque é universal: a patriarcal é fechada porque é individual . Nela predomina o caos , a natureza , a liberdade e eros o amor ; na outra , a limitação , a hierarquia , a ordem o logos . (prof. Junito Brandão)
Mircea Eliade Em seu livro “História das crenças e das idéias religiosas“ chama atenção para o fato de que mesmo nas sociedades organizadas a posteriori , a mulher alcançava uma posição importante nos domínios do sagrado . Descobre-se um pensamento simbólico metafórico que traça forte analogia entre a fertilidade da terra e a fertilidade feminina . O útero da mulher recebe a semente depositada pelo homem e , após o período de gravidez , explode para a vida um novo ser ; a terra também recebe a sua semente , que germina para projetar-se na forma de louros trigais ou da inebriantes vinhas. Deste modo , a mulher se torna senhora das colheitas , porque como a terra ela esconde o segredo da vida .
A terra (Gaia) ganha um profundo significado . Ela é a grande mãe que é possuída pela força do arado que lhe rasga o corpo ! Ritos muitos antigos mandam que se coloque sobre a terra a criança recém nascida para adquirir a força poderosa que dela emana ; quando o homem morre , é também colocado de costas sobre a terra , que deste modo preside os três ciclos fundamentais do existir humano : o nascimento a alimentação e a morte .