O culto das deusas-mães e deusas do amor
O culto das deusas-mães e deusas do amor
É nas culturas históricas , porém , que os cultos da deusa-mãe ganham consistência . Vejamos , algumas escolhidas pela importância na História
INANNA
Na mitologia Mesopotâmica Inana é a deusa do amor e da estrela Venus . Ainda é Mircea Eliade que nos informa que essa deusa gozara de uma atualidade cultural e mitológica inigualável a qualquer outra deusa do Oriente Médio . Quando seu culto alcança o apogeu , Inanna-Ishtar , é a um só tempo deusa do amor e da guerra, ou seja Eros e Thanatos ; indicando sua plenitude de poderes é considerada hermafrodita representada como Ishtar-Barbata . Inanna-Ishtar traduz-se como uma síntese de contradições: era a deusa das mães de família e das prostitutas . É chamada em prece a “cortesã com coração”, suas representações são ambíguas ora é a mãe que amamenta o filho ora é a figura hermafrodita de Ishtar-Barbata . Era invocada com as seguintes palavras ;
Mulher das mulheres, deusas, rainha de todas as cidades, condutora de todos os homens. É a luz do mundo, és a luz do céu ; Supremo é o teu poder exaltando todos os deuses ... Reges as leis da terra; as leis do templo dos santuários , as leis dos lares e das alcovas . Onde está o teu nome onde são desconhecidos os teus mandamentos? li onde brilha , os mortos renascem para a vida ; enfermos levantam e caminham ; o espírito dos doentes é confortado quando olha o teu rosto’’ (p56)
“Oh! E que teria eu para te dar se casasse contigo? Ungüentos para untares teu corpo e tuas vestes , e pão e virtualhas ; é preciso alimentação adequada a tua condição divina , bebida a tua realeza? Não passas de uma ruína que não abriga do mau tempo , de porta que não resiste a tempestade. Não és mais do que um palácio pilhado pelos heróis , armadilha que dissimula traições” (p.41)
O texto reflete sobre o desprezo de Gilgamesh, o rei sumério de carácter semi lendário em relação ao feminino, associando-o a uma longa tradição de discursos antifemininos. Destaca-se a ambiguidade afetiva — amor e ódio — com que os homens historicamente percebem as mulheres, vistas como uma síntese de opostos (bruxa e fada, santa e prostituta, mãe e madrasta, luz e trevas). Essa dualidade explicaria o receio e a dificuldade masculina em compreender quando o feminino é percebido como benéfico ou nefasto.
Em seguida, o texto retoma o mito de Inanna, deusa do amor, que desce ao mundo dos mortos para reencontrar seu amado Tamuz. Ao ser aprisionada e adoecida no submundo, sua ausência provoca a esterilidade da vida na Terra: o amor, a fertilidade e a harmonia desaparecem. Os deuses exigem seu retorno, que ocorre sob a condição de Tamuz acompanhá-la. Com a volta de Inanna ao mundo superior, a natureza e o amor são restaurados, simbolizando o poder vital e regenerador do feminino