Mais uma vez retornamos a civilização grega. A mitologia primitiva é a língua poética que servia aos povos antigos para explicar os fenômenos naturais. Sim, existe uma linguagem mitológica que apresenta a natureza exterior como forma visível de personalidades divinas, entretanto , tais alegorias não eram forma particular à arte, eram também parte da linguagem usual. Exemplificando: o sol, para os antigos, era um brilhante deus em eterna luta contra a escuridão, noite. Os raios que o céu despejava era Júpiter a vingarem-se, os fenômenos físicos confundiam-se com as personificações divinas com poderes morais. As diversas fábulas explicavam esses hábitos alegóricos da linguagem, assim, cada rio era um deus e cada regato uma ninfa, se corriam na mesma direção era porque se amavam, e caso viessem a encontrar- se tratava-se de himeneu (desejo) .
O estudo da mitologia pode ser feito de diversos modos, mas, interessa-nos a mitologia artística cujo objetivo não está nas origens, mas nos resultados. Os gregos deram aos deuses a forma humana, pois segundo o escultor Fidias a forma humana é a mais perfeita que se conhece. Com a supremacia da religião cristã as estátuas dos deuses foram abandonadas, apesar de sua beleza pelas relíquias dos santos, sequer sua beleza as salvou do anátema pronunciado contra os ídolos . Por mil anos tudo produzido pela antiguidade foi mal conhecido e esquecido e muitas vezes destruído .
Na Teogonia de Hesíodo , Afrodite nasceu da espuma marinha formada pelos testículos cortado de Urano por seu filho Cronos . Afrodite é filha da espuma-esperma (aphros) que boia no mar. Afrodite emergiu das águas apoiada numa grande concha de madrepérola (útero) , ilustrando a associação da fecundidade e o prazer sexual que passa a noção de prosperidade e sorte, que os zéfiros (ventos) leves a empurraram para as praias da ilha de Cítera. Afrodite passa a ser venerada sob diversos aspectos , mas sempre como a deusa da beleza que preside os prazeres do amor . Afrodite Urânia ou Celeste é a deusa das uniões legítimas, em Platão deusa do Amor puro , celeste , próprio às almas nobres . A esta se opõe a Afrodite Paudêmia , ou deusa do Amor vulgar , sensual . Dois amores a acompanham Afrodite: o Amor primitivo (Eros) que desemaranhou o caos e o desejo que aparecera no mundo ao mesmo tempo em que o primeiro ser sensível. Afrodite na Mitologia Romana toma o nome de Venus .
“O nascimento de Vênus” 1485-1846 Sandro Botticelli tempera sobre tela. 1.72 x 2.78 Galeria Degli Uffizi Comanda de Lorenzo di Pierofrancesco de Medici para a Villa Medicea di Castelo.
Sandro Botticelli