A mulher um enigma?
A mulher um enigma?
Alguém já teria se perguntado a razão da diferença de padrão entre homens e mulheres em nossa cultura mesmo atualmente ainda que questionamentos permanente estejam sendo realizados pelas mulheres ? Fato que torna as relações entre homens e mulheres num aspecto de luta (camuflada na maioria da vezes) assumindo uma dimensão inquestionavelmente política .
Qual seria a origem desta situação? Porque a mulher teve, sempre que lutar para aumentar seus direitos sociais? Porque a mulher tem sido através dos tempos discriminada , tratada como criança , dependente do homem , e quiçá como débil mental?
Parece-nos que a espécie humana ao se diferenciar dos animais e pela cultura distancia-se da natureza, teve dificuldades de perceber as diferenças entre macho e fêmea . Esta possuía algumas particularidades que as tornavam estranhas e profundamente inquietantes ao macho .
A primeira das diferenças foi a questão do sangue , o homem primitivo observava a presença do sangue tanto no nascimento quanto na morte , sangue passa a ter um sentido mágico : sangue é vida . O sangue passa a fazer parte do mundo, do maravilhoso, da magia . Para este homem observa que a mulher sangra (através da menstruação) sem motivo aparente ou prejuízo para ela, e como o sangue é rico em “mana” (energia sobrenatural) a mulher portadora de tal força torna-se perigosa . A menstruação para o homem primitivo é algo misterioso, estranho e sobrenatural , é preciso lidar com ela, para tanto muitos povos primitivos buscaram criar mitos que explicassem o ciclo menstrual dando-lhes um sentido integrados nos esquemas existenciais de seus grupos. Em alguns as mulheres menstruadas deviam ficar afastadas, em outros ficavam proibidas de prepararem as refeições, em outros sequer podiam ser vistas por serem perigosas, qualquer contato daria origem a doenças devastadoras . Em suma eram sempre perigosas . Já no judaísmo , a palavra “nidá” significa a um só tempo , separação e menstruação . A mulher menstruada é considerada impura e proibida de intercurso com o marido . O medo da menstruação leva a um conjunto de mágicas ou meramente restritivas do espaço da mulher, práticas que relacionam o processo menstrual com tudo que é perigoso para o homem não para a mulher, deduzimos que perigosa não é a menstruação mas sim a mulher .(????)
Entretanto, um segundo aspecto, marca a diferença entre o homem e a mulher , a morfologia do órgão sexual de um e de outro . O pênis do homem projeta-se para fora portanto facilmente visível , já a vagina da mulher coberta de pêlos , úmida não visível , misteriosa recebe o pênis devora-o , suga suas energias amolecendo-o fato que a fantasia masculina transforma a vagina em monstro devorador do pênis . Interessante a a ambiguidade na psiquê masculina da relação sexual desejada e temida pelo medo da castração . Por isso , em culturas primitivas o intercurso é precedido de rituais mágicos que visam neutralizar o “mana” da vagina . Ao ejacular o homem deixa algo dentro da mulher , algo de si ; além de passar por uma pequena vertigem (morte chiquita) nesse momento existe uma certa relação com a castração , principal objeto de fantasia masculina . (Rohein p.80) . Mas , o intercurso sexual pode ser uma aventura perigosa , o pênis-herói deve vencer obstáculos terríveis na conquista do prêmio desejado --- vitória sobre a vagina ---- ou seja sua auto afirmação . O pênis , vitorioso , se vitorioso , e torna potencialmente perigoso por ter penetrado na vagina e entrando em contato om o “mana” lá existente. Por esse motivo a vagina pode ser considerada um tabu .
Pode-se considerar que foi em virtude deste receio que se desenvolveu na Antiguidade o culto da castidade . Deusas como Artêmis e Palas eram virgens e defendiam a todo custo virgindade .
Palas e o centauro Botticelli que foi um pintor da época do Renascimento.
Artemis obsevando a morte de Orion
Artemis presente do Papa Paulo IV ao rei Henrique II da França . Louvre
Deusa Palas
Diana Caçadora
Outra questão que oferece dificuldade de interpretação para o homem primitivo é a maternidade . Muitos homens primitivos não viam relação entre a gravidez e o ato sexual , acreditavam que a gravidez era produto da ação dos espíritos que penetravam no útero e lá se alojavam . A mulher como a terra possuía um “mana” gerador de vida . Por isso o parto em muitos povos deixa a mulher impura , são necessários ritos de purificação para que os perigos sejam afastados .
Percebemos que a mulheres na concepção dos homens primitivos (quiçá na dos modernos) representa um perigo . Foi necessário que os homens procurassem meios e modos de dominar a fonte original de terror e ansiedade . A solução foi criar mecanismo rígidos de controle ideológico capazes de dominar o feminino . Mas, tais mecanismos não deveriam permanecer impostos pelos homens , deveriam ser internalizados pelas mulheres. Alguns ideologemas foram criados : a mulher é menos inteligente que o homem , é infiel e extremamente falsa ; é sexualmente insaciável e interesseira ; frágil fisicamente ; incapaz de exercer tarefas próprias do homem ; possui habilidades específica para tarefas menores como tecer, bordar , costurar cuidar da casa e etc ; é medrosa , supersticiosa , emotiva apaixonada ; depende do homem ; tem no casamento e na família sua única razão de ser sua maior realização é a maternidade . (??????) Valores passados por mecanismos como religião , mitos , contos populares , e a mulher por muito tempo passou a crer que tais valores eram naturais ou de origem divina . Portanto da Antiguidade aos nossos dias a grande tarefa dos homens tem sido controlar a sexualidade feminina . A mulher pertence ao domos ao lar , os homens a rua as praças . A mulher doméstica santificada no altar doméstico passou a ser o ideal perseguido pelos homens, as mulheres do círculo familiar são intocáveis , suas vaginas são sagradas locais eleitos para a perpetuação da família e não mais da espécie humana .
Aquelas que não optavam pela sombra acolhedora do lar , que escolhiam a liberdade e a dessacralização porquê acreditavam regrar sua vida com lhe aprouvesse , poder competir com o homens, tomavam o nome de ierodulas (prostitutas sagradas) restos da cultura matriarcal , depois só prostitutas que pagavam um preço alto pela liberdade Mulheres da rua , Mulheres públicas desvalorizadas socialmente perante a mulher casada . Surgem duas vaginas a sacralizada das mulheres Esposa , Mãe, filha sob o poder de um homem e a outra a vagina maldita pertencente a prostituta que não se encontra sob o poder de um homem especial e surgem as dicotomias: esposa/amante ; santa/puta ; mulher de casa/mulher de rua ; senhora/meretriz . A rigor havia uma só vagina perigosa ou um feminino incontrolável . O maior problema do homem é não se dar conta que não existe um lugar da mulher o seu é o lugar do vazio. OPS !