A mulher um enigma?
A mulher um enigma?
Alguém já teria se perguntado a razão da diferença de padrão entre homens e mulheres em nossa cultura , mesmo atualmente ainda que questionamentos permanentes estejam sendo realizados pelas mulheres ? Fato que torna as relações entre homens e mulheres num aspecto de luta (camuflada na maioria da vezes) assumindo uma dimensão inquestionavelmente política .
Qual seria a origem desta situação ? Porque a mulher teve , sempre que lutar para aumentar seus direitos sociais ? Porque a mulher tem sido através dos tempos discriminada , tratada como criança , dependente do homem , e quiçá como débil mental ?? (aos 88 anos sinto/sofro esses tipos de preconceito !!)
Parece-nos que a espécie humana ao se diferenciar dos animais e pela cultura distancia-se da natureza , teve dificuldades de perceber as diferenças entre macho e fêmea . Esta possuía algumas particularidades que as tornavam estranhas e profundamente inquietantes ao macho !!
A primeira das diferenças foi a questão do sangue , o homem primitivo observava a presença do sangue tanto no nascimento quanto na morte , o sangue passa a ter um sentido mágico : sangue é vida . O sangue passa a fazer parte do mundo , do maravilhoso, da magia . Para este homem que observa que a mulher sangra (através da menstruação) sem motivo aparente ou prejuízo para ela , e como o sangue é rico em “mana” (energia sobrenatural) a mulher portadora de tal força torna-se perigosa . A menstruação para o homem primitivo é algo misterioso , estranho e sobrenatural , é preciso lidar com ela , para tanto muitos povos primitivos buscaram criar mitos que explicassem o ciclo menstrual , dando-lhes um sentido integrados nos esquemas existenciais de seus grupos. Em alguns as mulheres menstruadas deviam ficar afastadas , em outros ficavam proibidas de prepararem as refeições , em outros sequer podiam ser vistas por serem perigosas , qualquer contato daria origem a doenças devastadoras . Em suma , eram sempre perigosas . Já no judaísmo , a palavra “nidá” significa a um só tempo , separação e menstruação . A mulher menstruada é considerada impura e proibida de intercurso com o marido . O medo da menstruação leva a um conjunto de mágicas ou meramente restritivas do espaço da mulher , práticas que relacionam o processo menstrual com tudo que é perigoso para o homem não para a mulher, deduzimos que perigosa não é a menstruação mas sim a mulher .(????)
Entretanto , um segundo aspecto , marca a diferença entre o homem e a mulher , a morfologia do órgão sexual de um e de outro . O pênis do homem projeta-se para fora portanto facilmente visível , já a vagina da mulher coberta de pêlos , úmida não visível , misteriosa recebe o pênis , devora-o , suga suas energias amolecendo-o , fato que a fantasia masculina transforma a vagina em monstro devorador do pênis . Interessante a ambiguidade na psiquê masculina da relação sexual desejada e temida pelo medo da castração . Por isso , em culturas primitivas o intercurso é precedido de rituais mágicos que visam neutralizar o “mana” da vagina . Ao ejacular o homem deixa algo dentro da mulher , algo de si ; além de passar por uma pequena vertigem , (morte chiquita) nesse momento existe uma certa relação com a castração , principal objeto de fantasia masculina . (Rohein p.80) . Mas , o intercurso sexual pode ser uma aventura perigosa , o pênis-herói deve vencer obstáculos terríveis na conquista do prêmio desejado --- vitória sobre a vagina ---- ou seja sua auto afirmação . O pênis , vitorioso , se vitorioso , se torna potencialmente perigoso por ter penetrado na vagina e entrando em contato com o “mana” lá existente. Por esse motivo a vagina pode ser considerada um tabu .
Pode-se considerar que foi em virtude deste receio , que se desenvolveu na Antiguidade o culto da castidade . Deusas como Artêmis e Palas eram virgens e defendiam a todo custo virgindade !
Palas e o centauro de Botticelli que foi um pintor da época do Renascimento.
Artemis obsevando a morte de Orion
Artemis presente do Papa Paulo IV ao rei Henrique II da França . Museu do Louvre
Deusa Palas
Diana Caçadora
Outra questão que oferece dificuldade de interpretação para o homem primitivo é a maternidade . Muitos homens primitivos não viam relação entre a gravidez e o ato sexual , acreditavam que a gravidez era produto da ação dos espíritos que penetravam no útero e lá se alojavam . A mulher como a terra possuía um “mana” gerador de vida . Por isso o parto em muitos povos deixa a mulher impura , são necessários ritos de purificação para que os perigos sejam afastados .
Percebemos que a mulheres na concepção dos homens primitivos (quiçá na dos modernos) representa um perigo . Foi necessário que os homens procurassem meios e modos de dominar a fonte original de terror e ansiedade. A solução foi criar mecanismo rígidos de controle ideológico capazes de dominar o feminino . Mas , tais mecanismos não deveriam permanecer impostos pelos homens , deveriam ser internalizados pelas mulheres . Alguns ideologemas foram criados : a mulher é menos inteligente que o homem , é infiel e extremamente falsa ; é sexualmente insaciável e interesseira ; frágil fisicamente ; incapaz de exercer tarefas próprias do homem ; possui habilidades específica para tarefas menores como tecer , bordar , costurar cuidar da casa e etc ; é medrosa , supersticiosa , emotiva apaixonada ; depende do homem ; tem no casamento e na família sua única razão de ser sua maior realização é a maternidade . (??????) Valores passados por mecanismos como religião , mitos , contos populares , e a mulher por muito tempo passou a crer que tais valores eram naturais ou de origem divina . Portanto , da Antiguidade aos nossos dias a grande tarefa dos homens tem sido controlar a sexualidade feminina . A mulher pertence ao domos , ao lar , os homens a rua as praças . A mulher doméstica santificada no altar doméstico passou a ser o ideal perseguido pelos homens , as mulheres do círculo familiar são intocáveis , suas vaginas são sagradas locais eleitos para a perpetuação da família e não mais da espécie humana .
Aquelas que não optavam pela sombra acolhedora do lar , que escolhiam a liberdade e a dessacralização porquê acreditavam regrar sua vida como lhe aprouvesse , poder competir com o homens , tomavam o nome de ierodulas (prostitutas sagradas) restos da cultura matriarcal , depois só prostitutas que pagavam um preço alto pela liberdade . Mulheres da rua , Mulheres públicas desvalorizadas socialmente perante a mulher casada . Surgem duas vaginas a sacralizada das mulheres Esposa , Mãe , Filha sob o poder de um homem , e a outra , a vagina maldita pertencente a prostituta , que não se encontra sob o poder de um homem especial e surgem as dicotomias : esposa/amante ; santa/puta ; mulher de casa/mulher de rua ; senhora/meretriz . A rigor havia uma só vagina perigosa ou um feminino incontrolável . O maior problema do homem é não se dar conta que não existe um lugar da mulher , o seu é o lugar do vazio. OPS !