Mudanças exponenciais politicas, sociais, estilísticas sucederam mas ...... a luta das mulheres artistas continua!
A Philadelphia Centennial Exposition de 1876 representou o marco na luta das mulheres para alcançar a visibilidade pública na vida cultural americana . Aproximadamente um décimo dos trabalhos artísticos na sessão dos Estados Unidos foram realizados por mulheres , mais que em qualquer outras mostras de outros países . A construção da existência de áreas de amostras segregadas foram contestadas desde o início . A presença das exposições separadas para mulheres na Exposição assinalava uma institucionalização das produções das mulheres isoladas das masculinas . Podemos concluir que o Pavilhão não representaria a verdadeira exposição da arte das mulheres , pois não incluía exemplos de objetos feitos por mulheres nas fábricas dirigidas por homens . O edifício tornou-se o mais poderoso e conspícuo símbolo do movimento das mulheres por direitos iguais e a mais visível indicação da separação do status feminino . (que ironia!) . Artistas já mencionadas como Foley e Whitney enviaram baixos relevos e estatuetas e Whitney também enviou um bronze de sua obra "Rome" , um busto de bronze de uma lavradora adormecida e uma fonte para o centro da Horticulture Hall
Os críticos logo desmereceram as expositoras pela falta de “qualidade” e as mulheres encontram-se mais uma vez se confrontando com a universalização da definição da produção feminina num gênero segregado no mundo !!!!.
Quatro foram as mulheres que se destacaram na época Mary Cassat , Berthe Morisot , Marie Bracquemond e Eva Gonzales . Mas a mulher mais admirada em Paris foi Mary Cassat , dentre outras pintoras tornou-se a primeira pintora a se alinhar com o radical movimento estilístico : o Impressionismo .
Cassat (1844-1926) filha de um rico homem de negócios da Pensilvânia, tornou-se estudante da Academia da Pensilvânia em 1861 entre outras mulheres estudantes dedicadas como Alice Barber Stephens (1858-1932) , Anna Sellers , Cecilia Beaux , Susan Mac Dowell Eakins (1851-1938) .
Por volta de 1866 Mary Cassat estabeleceu-se em Paris com o resto da família . Seus chás foram a meca para jovens mulheres, era generosa com a introdução e conselhos e sua dedicação profissional era uma inspiração para os jovens estudantes . Os conflitos ainda encaravam as mulheres artistas presas dentro da ideologia da diferença sexual que forneciam privilégio a expressão masculina e frequentemente forçavam as mulheres a escolher entre a carreira e o casamento . (eu diria que atualmente as coisas mudaram, mais por necessidade econômica do que pelo respeito a competência e profissionalismo , as mulheres mesmo ocupando o mesmo cargo ganham menos e ainda poucas chegam a cargos de muita relevância)
Durante o tempo de estudos em Paris Cassat e outras estudantes presenciaram as mudanças dramáticas pelas quais a cidade passava . A reconstrução de Paris pelo Baron Haussmann com largas avenidas abertas para evitar as barricadas nas ruas estreitas medievais como nas revoltas populares de 1848 , e de Napoleon III em 1850 e 1860 que transformaram fisicamente a cidade . T.J. Clark , Griselda Pollock , Eunice Lipton , e outros tiveram a habilidade de demonstrar a evolução da nova matriz social como artistas , escritores , prostitutas (de luxo ou não) e a nova burguesia tomaram conta dos parques , cafés e restaurantes. Ninguém melhor que Baudelaire (delicioso de ler) para invocar por uma arte da vida moderna , arte que enfatizasse o momento transitório e passageiro , de sensações fugidias que corporificavam o foco contemporâneo e aproximação realista das pinturas de um Manet e Degas , nas pinceladas interrompidas , ligeiras , evanescentes e nos gestos passageiros e imprecisos do Impressionismo , e no imaginário poético do Flâneur , figura exclusivamente masculina , que se move sobre o novo público nas arenas da cidade enriquecendo - com seus espetáculos . (o Dandy , elegante , bem vestido , insinuante ,
charmoso e muito agradável) .