A Crucificação 1308-1311 este retábulo também leva o nome de Maestà para a Catedral de Siena Itália
Com a separação entre Eros e Ágape pelo Cristianismo abre-se um profundo fosso entre a arte secular e a religiosa. A visão de Cristo na cruz é capaz de inspirar uma grande pintura da Crucificação como a de Duccio diBuoninsegna (museu da Catedral de Siena), resta a pergunta: e o poeta erótico ? Ficaria desanimado , triste ? Como já não mais havia deidades para tomar conta do lirismo, da canção de amor, da dança, torna-se necessária outra explicação para a criatividade, ou seja, para algo que não pode ser invocado ao nosso bel prazer, e que parece estar além do controle do artista . Busca-se a solução no mortal, pelo ato de apaixonar-se, para chegar à transcendência , sentimento de forças desagregadoras, incontroláveis ----- a paixão ----- um modelo para tentar compreender a Inspiração. Por que o artista pinta, esculpe, grava, escreve, fotografa, compõe e filma ? Deve estar apaixonado . E, eis que surge a senhora do trovador, objeto ideal, inalcançável do amor cortês, a qual se torna a candidata consensual situada em algum lugar entre a Virgem e a mulher de carne e osso, a mulher real.
Pela passagem do tempo esta progressão do etéreo para o corpóreo parece agora tão fluida e inevitável que quando Homero pede às deusas que cantem através dele, temos a compreensão que ambos, os artistas/poetas estão falando sobre a musa que os inspiram !
Podemos concluir que a figura feminina possui um papel preponderante como musa inspiradora para os artistas. A figura feminina é quase um sinônimo de beleza.